Mais a visão se aprofunda,
mais estrelas se percebem,
na escuridão...

5 de novembro de 2021

Palavra proferida



Extraordinário avanço da ciência...
         
Arrogância de presumir que tudo se sabe, 
que tudo surgiu de um todo-poderoso nada, 
antes do qual não existia o tempo, 
fora do qual não existia o onde. 

Um ponto atemporal em meio a nada, 
pelo acaso provocado a tornar-se tudo, 
por bilhões de anos evoluindo, 
da sopa de glúons às nebulosas, galáxias, 
singularidades, sistemas estelares, planetas, 
caldos elementares, procariontes, eucariontes
e bilhões de espécies cerebradas, 
mentes estruturadas, sistematizadas, 
também ao acaso eventualmente premiadas 
pelos sopros de senciência e consciência.

Design Inteligente?
Jamais.

Apenas o miraculoso moto-contínuo 
de mutações aleatórias, adaptação, seleção.

Assim sendo, de seres comuns a expoentes geniais
filósofos, escritores, cientistas, estadistas, artistas, 
todos nós, evidentemente desprovidos de almas, 
descendemos de inquietas, astuciosas, transmutadas 
amebas

Crepúsculo da natureza humana...
 
Menosprezo aos valores éticos e morais, 
aos preceitos que uniam e reuniam pessoas.

Aparência, acima de conteúdo.
Esperteza, acima de honestidade.
Direitos, acima de deveres.

Avidez incontrolável 
por falar antes de refletir, 
ensinar antes de aprender, 
julgar antes de analisar, ponderar, 
colher antes de semear, cultivar, esperar crescer. 

Apologia à felicidade material e carnal. 
Brutalidade impiedosa, ante as frustrações naturais da vida.

Cultura de indulgência, não-punição, 
narrativas deturpando realidade, 
transfigurando vítimas em fatalidades, 
algozes em vítimas, corruptos em impolutos.

Indiferença para com o sofrimento dos demais seres vivos. 

Individualidade exacerbada, 
degenerando em egoísmo desmedido, sem conserto, 
até que a solidão coletiva finalmente brote 
da aridez do espírito e da rigidez do coração, 
quando já não se possa mais contar com quem quer que seja, 
porque serão todos assim, iguais. 

Crêem, sabem...

Que seus pensamentos, sentimentos e palavras 
tornam-se donos das suas vidas.

Mas, sequer se interessam em conhecer a Palavra, 
o Verbo de onde tudo procede, 
do incomensurável ecossistema universal
às infinitas formas de vida nele semeadas. 

Ignoram, não suspeitam...

Que a Palavra, dona de toda a Vida, 
há éons foi proferida 
e inexoravelmente se cumprirá.

novembro.2021
©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®
 
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3 de outubro de 2021

Agora somos nós

 
Ante os que nos enjeitaram, ofenderam,
praticaram ou desejaram o mal.
Confiar no que somos.
Manter distância.

Ante a decadente Humanidade em ebulição.
Confiar na Sabedoria Divina.

Pelos que precisam de nós.
Fazer o que estiver ao nosso alcance.

Pelos que zelam por nós.
Dar graças.

Pelos anjos que nos visitaram e partiram.
Buscar no coração o proceder de Jó.

Pelos anjos que porventura virão.
    Aceitar o que nos for designado.

Caminhos a seguir.
Virá a inspiração.

Sós, mas acompanhados.
Agora somos eu, você e Deus.
 
 
Setembro.2021
©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®
 

19 de setembro de 2021

Não direi os seus nomes


Seres egressos dos umbrais,
asquerosos, truculentos, 
decrépitos de mentes e almas. 
Fisionomias plúmbeas, suarentas.
Olhares reveladores da maldade congênita.

Dissimuladores que a mais ninguém iludem, 
encenando personas que intrigariam Jung.

Senhores da empáfia, inebriados de auto-louvação, 
mariposas jurássicas, ávidas pela limelight.

Deturpadores hediondos, abjetos! 

Das meras escrivaninhas que lhes cabem,  
fizeram púlpitos de onde vociferam, 
ousam escarrar sobre a Nação, 
cujo brado retumbante ignoram, 
fingem não ouvir.

Manipuladores desprezíveis, imorais, 
sempre escancarando suas bocas fétidas, 
plenas de dentes e línguas de bate-estacas, 
a fabricar dogmas de retórica nojenta, 
bordões que a horda vendida evocará 
para rotular e perseguir os "hereges" 
que anseiam levar à fogueira santa.

Biltres!
Usurpadores do mando,
perpetradores do desmando,
a encarcerar pensamentos e palavras 
daqueles que não se curvam.

Sabem a quem me dirijo. 
Mas, para argüir a respeito, 
terão de vestir esta catinguenta carapuça, 
pois não disse os seus nomes...

setembro.2021
© Alfredo Cyrino / IndigoVirgo

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4 de setembro de 2021

Agradeço pela jornada



Durante este longo caminho,  
conheci plenamente
as maravilhas, realizações e limitações, 
os perigos, fracassos e iniqüidades, 
os saberes, incertezas e cegueiras, 
os conflitos, as convergências...

Da cosmologia, da astrofísica,  
das abordagens quântica, relativística, 
das engenharias, quase todas. 

Dos primórdios da ciência da informação, 
às redes neurais emulando ainda tosca inteligência, 
ante o enigma da consciência humana. 

Dos encantos, distinções e afinidades dos idiomas. 
Da leitura, da escrita, da crônica, da poesia.

Da música, da composição. 
Dos instrumentos que tanto ouvi 
e dos que pude tocar.

Das tantas ciências da vida. 
Das entidades submicroscópicas, vivas e inanimadas. 

Das teorias evolucionistas, criacionistas.
Da teologia, dos sincretismos, do ateísmo.

Aprendi, 
por rumos certeiros e também sem norte,
avançando, retrocedendo, caindo, levantando...

A não andar nas sombras, 
iluminar meus próprios passos e decisões.

A ter limites demarcados pelos meus acertos, 
erros e remorsos. 

A perseverar nos objetivos, 
contornando as pedras, mirando a montanha.

A compreender humanos e sencientes,  
contemporizar sem condescender com o mal, 
perceber na ofensa as limitações dos ofensores. 

A considerar contextos, perspectiva ampla, 
em todos os eventos e situações.

A lançar olhar, coração e mãos 
sobre as criaturas em sofrimento,
inocentes, indefesas, injustiçadas. 

A tentar não lançar ectoplásmica ira 
contra os perpetradores. 

A suportar e aceitar as grandes perdas,  
que só ocorrem a quem colheu grandes bênçãos. 

Adquiri consciência da minha insignificância e finitude, 
ínfima partícula neste Universo, 
apenas um individuo, 
dentre quase 8 bilhões de viventes neste planeta, 
dentre mais de 100 bilhões que por aqui já passaram, 
dentre os que habitam o incomensurável e desconhecido.

Ah! 
Quanto assimilei! 
E quanto ainda me falta!

Agradeço a Deus por esta jornada...

Pelos perfeitos dons, 
físicos, intelectuais, espirituais, 
recebidos para completá-la.

Pelo bendito provimento que jamais me faltou.

Por tudo o que me permitiu saber, ensinar, 
criar, construir, consertar, restaurar, 
resgatar, apaziguar, serenizar.

Por aqueles de quem cuidei 
e por aqueles que cuidaram de mim. 

Pelas conquistas alcançadas nas escolhas certas 
e pelas lições contidas nas escolhas erradas.

Pelo amor daquela que o Senhor me concedeu
por companheira desta vida, 
de tantas  vidas, 
de futuras vidas, 
em reencontros marcados ad infinitum... 

setembro de 2021


Humilde agradecimento a Deus.
Singela dedicatória à minha esposa, Jussara.

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11 de agosto de 2021

Acalma



Anjos não ficam
Pertencem a Deus, 
que os concedeu para iluminar tua vida.

Acalma teu coração, 
porque teu colo os aconchegou,  
teus olhos zelaram pelo bem de cada um, 
tuas palavras os serenizaram quando se afligiam, 
tua vigília os acompanhou quando não adormeciam, 
teus passos os conduziram quando caminharam inseguros, 
tuas mãos os alimentaram, afagaram, trataram, cuidaram, 
tanto e tanto, que também o teu tempo se diluiu no deles.

Acalma tua mente, 
porque compartilharam contigo sua essência 
de coragem, resignação, determinação, amor, 
mansidão, inocência, paz e alegria.

Acalma teu coração, tua mente, tua alma,   
porque teu infindável amor por eles 
se haverá de sublimar em etéreo reencontro, 
na morada de luz, perfeição e reconforto.

agosto.2021


Dedicado à Jussara, 
aos sencientes que iluminaram nossa vida com suas presenças, 
e tantos outros, resgatados e entregues a novos tutores. 


24 de julho de 2021

Derradeira Anjinha


Companheirinha amorosa, de tantos e tantos anos.

Coragem determinada, resignada, sempre em movimento,
a reencontrar caminhos, para além da visão obscurecida,
a superar cada limitação trazida pelo tempo, 
a suportar a dor, para permanecer conosco. 

Fragilizada navezinha,
livre agora das dores irremissíveis, 
serenizada.

Por toda a casa e nos corações,
lindas memórias da tua presença 
e marcas pungentes da tua ausência.

Vai, criaturinha etérea!
Leva em tua essência o amor que te dedicamos.

Vai para a Morada de Luz e Reconforto, 
onde evanescerão todas as aflições, 
onde, enfim, nos haveremos de reencontrar.

In memoriam - Vivi (17 anos) - 16.07.2021 16h07m

Julho 2021



9 de fevereiro de 2021

Não me regem ideologias


Um solene não às de esquerda e às de direita,
extremas ou moderadas.
E mais outro às de centro,
tendentes a quaisquer direções.
 
Meras coletâneas de crenças, valores, preceitos,
permeadas de auto-evidências não-factuais.
 
De todas conheço as entranhas,
as variantes, as minúcias, as nuances.
 
Utopias incongruentes, mentirosas sonsas,
espoliadoras, abusivas, patrulhadoras. 
 
Aglutinando
políticos podres,
jornalistas imorais,
cientistas de aluguel,
minorias prepotentes,
togados autodeificados,
oportunistas à espreita,
tech giants manipuladoras. 
Corja simbiótica repugnante,
a defecar retórica, sofismas,
anti-preconceitos travestidos,
normas, protocolos, restrições,
crimes fabricados, perseguições,
narrativas distorcidas da realidade,
a instituir progressistas diabocracias,
indecorosas privilegiaturas perpétuas,
imperium orbis terrarum de esperteza,
fisiologismo, libertinagem, decadência,
empáfia, mediocridade.
 
Não me regem ideologias,
mas somente o pensamento livre,
a perscrutar suas intenções ardilosas,  
a decifrar suas entrelinhas subliminares,
a engendrar e proferir palavras de insurreição,
a dissecar, salgar e expor suas vísceras fétidas.
 
fevereiro.2021
 
Texto dedicado também àquela maioria adoentada pela obsessão de polarizar, 
à revelia da inteligência, dos fundamentos e argumentos dos seus interlocutores.