Mais a visão se aprofunda,
mais estrelas se percebem,
na escuridão...

19 de novembro de 2013

Meu porão



Hoje, não mais existe...
Mesas limpas, sem equipamentos, fios, conexões.
Gavetas e armários vazios de tristes conteúdos.
Inutilidades e papéis destruídos e descartados.
Piso impecável, cortinas lavadas,
janelas e portas semi-abertas,
ar circulando, livre.

Espaço árido em que às vezes transito,
passos rápidos, rasgando véus de memórias feridas
que ainda me observam, gritam, estertoram
apontando dedos acusadores para visões de mim mesmo,
existindo ansioso, inconformado, revoltado, impiedoso,
deitado no chão, desgrenhado, machucado, surtado,
dormindo, medicado, drogado...

Não mais meus anjos,
e meus destruidores demônios,
minha alma vagando perdida
em minha loucura onírica.

Não mais realidades harmônicas
transmutadas pelo meu simples existir.

Não mais adagas cravadas em mim
e em minhas vítimas... não mais.

Já não importa "que alguém serei".
Não há como alterar resultados do que vivi,
das batalhas da mente, do coração e do espírito,
das palavras ouvidas e proferidas,
das dores e dos bálsamos,
das agruras, dos perdões,
dos surtos e da cura.
E não há como evitar a paz
que haverei de alcançar.

17.11.2013

Deitei no chão



Onde sentia pulsar o núcleo do planeta,
onde os espaços suportavam meu ranger de dentes,
minhas palavras murmuradas, janelas fechadas,
minhas trancas de vidro em portas abertas,
meus inconformismos tingindo as paredes quietas,
meus clamores fluindo nas artérias quentes.

Deitei no chão,
onde sentia passar a  Lua sobre mim,
de onde enviava energias da minha mente,
esperanças, temores e dores do meu coração,
em conversas com Canopus, Sírius e Prócion,
até que o Sol me libertasse deste eu solerte,
para adormecer e sonhar, sem oração,
esperando meu início reencontrar meu fim,
no piso frio, em meu corpo inerte.

outubro.2013