Mais a visão se aprofunda,
mais estrelas se percebem,
na escuridão...
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18 de junho de 2022

Perdão e Cura


Somente Deus pode verdadeiramente 
punir ou perdoar quem perpetrou o mal contra alguém.

Não nos cabe 
julgar aquilo que Ele concedeu ou concederá a cada um.

Lembrando que nenhum ser humano é perfeito ou incólume...

Consideremos as histórias de vida, 
nossa e de quem nos feriu.

Tentemos compreender como e por que 
se cruzaram os nossos caminhos.

Admitamos que cada um, ao longo de sua jornada, 
acumula bem-feitos e mal-feitos

Olhemos para dentro de nós mesmos
com plena honestidade, sem autoindulgência ou vitimismo.

Aceitemos que tudo pode ter sido escrito corretamente, 
sobre as linhas que nós mesmos entortamos.

O mal que nos atingiu... 

Deve pesar somente sobre quem o praticou.

Se a ele voltarmos ciclicamente, 
dominará e envenenará nossa mente, nosso coração, nossa alma
e paralisará o nosso viver.

E que não haja ilusão...

A Justiça Divina não se cumpre para regozijo da vítima, 
nem no momento por ela ansiado, 
nem ao menos sob os seus olhos.
Talvez, nem mesmo neste plano terreno.

Ela se cumpre porque é Perfeita e Infalível.

Uma vez completada esta jornada terrena...

É possível que o malfeitor do passado, 
por prosseguir em suas lutas sem esmorecer 
(mesmo arrastando suas culpas e remorsos),  
tenha mais merecimento do que a vítima remoedora rancorosa 
que estagnou a sua vida, mal se deu conta de que ela passou,  
porque, tristemente, enterrou o seu talento de ouro*.

O ato de perdoar é linimento 
para a nossa própria cura, 
para restaurar o potencial de vida que recebemos, 
para nos permitir realizar, o melhor que pudermos,
aquilo que Deus planejou para nós.

* Mateus 25: 14-30

15 - 27 maio 2022
©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®

Dedicado às pessoas...
Que arrogantemente julguei e condenei (mas, humildemente, perdoei).
Que arrogantemente julgaram e condenaram quem quer que seja.
Das quais me compadeço, porque não compreenderam...

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5 de novembro de 2021

Palavra proferida



Extraordinário avanço da ciência...
         
Arrogância de presumir que tudo se sabe, 
que tudo surgiu de um todo-poderoso nada, 
antes do qual não existia o tempo, 
fora do qual não existia o onde. 

Um ponto atemporal em meio a nada, 
pelo acaso provocado a tornar-se tudo, 
por bilhões de anos evoluindo, 
da sopa de glúons às nebulosas, galáxias, 
singularidades, sistemas estelares, planetas, 
caldos elementares, procariontes, eucariontes
e bilhões de espécies cerebradas, 
mentes estruturadas, sistematizadas, 
também ao acaso eventualmente premiadas 
pelos sopros de senciência e consciência.

Design Inteligente?
Jamais.

Apenas o miraculoso moto-contínuo 
de mutações aleatórias, adaptação, seleção.

Assim sendo, de seres comuns a expoentes geniais
filósofos, escritores, cientistas, estadistas, artistas, 
todos nós, evidentemente desprovidos de almas, 
descendemos de inquietas, astuciosas, transmutadas 
amebas

Crepúsculo da natureza humana...
 
Menosprezo aos valores éticos e morais, 
aos preceitos que uniam e reuniam pessoas.

Aparência, acima de conteúdo.
Esperteza, acima de honestidade.
Direitos, acima de deveres.

Avidez incontrolável 
por falar antes de refletir, 
ensinar antes de aprender, 
julgar antes de analisar, ponderar, 
colher antes de semear, cultivar, esperar crescer. 

Apologia à felicidade material e carnal. 
Brutalidade impiedosa, ante as frustrações naturais da vida.

Cultura de indulgência, não-punição, 
narrativas deturpando realidade, 
transfigurando vítimas em fatalidades, 
algozes em vítimas, corruptos em impolutos.

Indiferença para com o sofrimento dos demais seres vivos. 

Individualidade exacerbada, 
degenerando em egoísmo desmedido, sem conserto, 
até que a solidão coletiva finalmente brote 
da aridez do espírito e da rigidez do coração, 
quando já não se possa mais contar com quem quer que seja, 
porque serão todos assim, iguais. 

Crêem, sabem...

Que seus pensamentos, sentimentos e palavras 
tornam-se donos das suas vidas.

Mas, sequer se interessam em conhecer a Palavra, 
o Verbo de onde tudo procede, 
do incomensurável ecossistema universal
às infinitas formas de vida nele semeadas. 

Ignoram, não suspeitam...

Que a Palavra, dona de toda a Vida, 
há éons foi proferida 
e inexoravelmente se cumprirá.

novembro.2021
©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®
 
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3 de outubro de 2021

Agora somos nós

 
Ante os que nos enjeitaram, ofenderam,
praticaram ou desejaram o mal.
Confiar no que somos.
Manter distância.

Ante a decadente Humanidade em ebulição.
Confiar na Sabedoria Divina.

Pelos que precisam de nós.
Fazer o que estiver ao nosso alcance.

Pelos que zelam por nós.
Dar graças.

Pelos anjos que nos visitaram e partiram.
Buscar no coração o proceder de Jó.

Pelos anjos que porventura virão.
    Aceitar o que nos for designado.

Caminhos a seguir.
Virá a inspiração.

Sós, mas acompanhados.
Agora somos eu, você e Deus.
 
 
Setembro.2021
©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®
 

4 de setembro de 2021

Agradeço pela jornada



Durante este longo caminho,  
conheci plenamente
as maravilhas, realizações e limitações, 
os perigos, fracassos e iniqüidades, 
os saberes, incertezas e cegueiras, 
os conflitos, as convergências...

Da cosmologia, da astrofísica,  
das abordagens quântica, relativística, 
das engenharias, quase todas. 

Dos primórdios da ciência da informação, 
às redes neurais emulando ainda tosca inteligência, 
ante o enigma da consciência humana. 

Dos encantos, distinções e afinidades dos idiomas. 
Da leitura, da escrita, da crônica, da poesia.

Da música, da composição. 
Dos instrumentos que tanto ouvi 
e dos que pude tocar.

Das tantas ciências da vida. 
Das entidades submicroscópicas, vivas e inanimadas. 

Das teorias evolucionistas, criacionistas.
Da teologia, dos sincretismos, do ateísmo.

Aprendi, 
por rumos certeiros e também sem norte,
avançando, retrocedendo, caindo, levantando...

A não andar nas sombras, 
iluminar meus próprios passos e decisões.

A ter limites demarcados pelos meus acertos, 
erros e remorsos. 

A perseverar nos objetivos, 
contornando as pedras, mirando a montanha.

A compreender humanos e sencientes,  
contemporizar sem condescender com o mal, 
perceber na ofensa as limitações dos ofensores. 

A considerar contextos, perspectiva ampla, 
em todos os eventos e situações.

A lançar olhar, coração e mãos 
sobre as criaturas em sofrimento,
inocentes, indefesas, injustiçadas. 

A tentar não lançar ectoplásmica ira 
contra os perpetradores. 

A suportar e aceitar as grandes perdas,  
que só ocorrem a quem colheu grandes bênçãos. 

Adquiri consciência da minha insignificância e finitude, 
ínfima partícula neste Universo, 
apenas um individuo, 
dentre quase 8 bilhões de viventes neste planeta, 
dentre mais de 100 bilhões que por aqui já passaram, 
dentre os que habitam o incomensurável e desconhecido.

Ah! 
Quanto assimilei! 
E quanto ainda me falta!

Agradeço a Deus por esta jornada...

Pelos perfeitos dons, 
físicos, intelectuais, espirituais, 
recebidos para completá-la.

Pelo bendito provimento que jamais me faltou.

Por tudo o que me permitiu saber, ensinar, 
criar, construir, consertar, restaurar, 
resgatar, apaziguar, serenizar.

Por aqueles de quem cuidei 
e por aqueles que cuidaram de mim. 

Pelas conquistas alcançadas nas escolhas certas 
e pelas lições contidas nas escolhas erradas.

Pelo amor daquela que o Senhor me concedeu
por companheira desta vida, 
de tantas  vidas, 
de futuras vidas, 
em reencontros marcados ad infinitum... 

setembro de 2021


Humilde agradecimento a Deus.
Singela dedicatória à minha esposa, Jussara.

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